Função oculta de expressões - Ponto de Vista Psicológico
- manuelsilva

- 6 de jan.
- 3 min de leitura
Atualizado: 9 de jan.

Existem expressões que à primeira vista parecem inocentes mas que na maior parte das vezes carregam um efeito duplo: superficialmente parecem neutras ou até encorajadoras, mas implicitamente reforçam superioridade, desvalorizam o outro ou protegem o ego de quem fala.
No sentido de melhor entender a mensagem ou o propósito, partilho algumas das expressões mais frequentes, organizadas por função psicológica oculta:
1. Expressões que minimizam a dificuldade (e maximizam o ego)
Essas frases sugerem que a tarefa é trivial — logo, se o outro não consegue, o problema é ele (ou está nele)
“Isto é fácil”
“É super simples”
“Não tem nada que saber”
“Qualquer pessoa consegue”
“É básico”
“Isso aprende-se em dois minutos”
“É só fazer”
🔍 Função psicológica
Afirma a própria competência sem a demonstrar
Cria uma hierarquia implícita (“eu estou acima”)
Reduz a empatia cognitiva
Ativa a vergonha no outro
2. Expressões que negam a existência de complexidade
Neste caso a pessoa, o chefe, o líder, que exprime a opinião ou observação, posiciona-se como alguém que “vê o óbvio” que os outros não vêem.
“Não existe segredo”
“É tudo lógico”
“Está tudo explicado”
“É óbvio”
“É claro como a água”
“É evidente”
“É senso comum”
🔍 Função psicológica
Defesa narcísica (“se é simples para mim, sou competente”)
Falta de conhecimento e / ou incapacidade de ver a dificuldade do outro.
Anulação de dúvidas fundamentadas
3. Expressões que transferem a culpa da incompreensão
O foco deixa de ser a explicação e passa a ser a suposta limitação do outro.
“Não percebo como não entendes”
“Já expliquei isso mil vezes”
“Não sei como ainda tens dúvidas”
“Está mesmo à tua frente”
“É só ler com atenção”
“Não é difícil de entender”
🔍 Função psicológica
Proteção do ego do emissor (não admite uma má explicação)
Inversão de responsabilidade
Comunicação passivo-agressiva
Micro-humilhação social
4. Expressões que escondem desprezo intelectual
Normalmente são ditas com tom calmo, mas cheias de julgamento.
“Sem querer ofender, mas…”
“Não quero ser arrogante, mas…”
“Com todo o respeito…”
“Não estou a dizer que não sabes, mas…”
“É uma questão de pensar um bocadinho”
🔍 Função psicológica
Licença moral para desvalorizar
Superioridade disfarçada de cortesia
Estratégia de dominio simbólico
5. Expressões de comparação implícita
Colocam o outro abaixo de um padrão “normal” ou “mínimo”.
“Até uma criança entende”
“Qualquer iniciante sabe isso”
“Isso é do primeiro dia”
“No teu nível, já devias saber”
“Isso é conhecimento básico”
🔍 Função psicológica
Pressão social
Geração de vergonha
Reforço de estatuto e hierarquia
6. Expressões que encerram uma conversa
Servem para não aprofundar nem explicar.
“É o que é”
“Sempre foi assim”
“Não vale a pena complicar”
“Não penses demais”
“Segue o processo”
“Confia”
🔍 Função psicológica
Evitar perguntas
Manter o controle
Redução da autonomia cognitiva do outro
7. Padrão psicológico comum por detrás de todas
Essas expressões geralmente indicam um ou mais dos seguintes traços:
Insegurança mascarada de confiança
Viés da maldição do conhecimento (quem sabe algo esquece como é não saber)
Necessidade de estatuto
Baixa empatia cognitiva
Comunicação defensiva
Micro-narcisismo funcional
8. Como reconhecer rapidamente?
Uma regra simples:
Se a frase diminui a dificuldade em vez de aumentar a clareza, não é pedagógica — é hierárquica.
Ou ainda:
Quem realmente domina algo tende a explicar melhor, não a simplificar verbalmente sem ajudar.
miroma63 - 06/01/2026



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