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Função oculta de expressões - Ponto de Vista Psicológico

Atualizado: 9 de jan.

Duplo efeito das expressões
Duplo efeito das expressões


Existem expressões que à primeira vista parecem inocentes mas que na maior parte das vezes carregam um efeito duplo: superficialmente parecem neutras ou até encorajadoras, mas implicitamente reforçam superioridade, desvalorizam o outro ou protegem o ego de quem fala.

No sentido de melhor entender a mensagem ou o propósito, partilho algumas das expressões mais frequentes, organizadas por função psicológica oculta:



1. Expressões que minimizam a dificuldade (e maximizam o ego)

Essas frases sugerem que a tarefa é trivial — logo, se o outro não consegue, o problema é ele (ou está nele)

  • “Isto é fácil”

  • “É super simples”

  • “Não tem nada que saber”

  • “Qualquer pessoa consegue”

  • “É básico”

  • “Isso aprende-se em dois minutos”

  • “É só fazer”

🔍 Função psicológica

  • Afirma a própria competência sem a demonstrar

  • Cria uma hierarquia implícita (“eu estou acima”)

  • Reduz a empatia cognitiva

  • Ativa a vergonha no outro


2. Expressões que negam a existência de complexidade

Neste caso a pessoa, o chefe, o líder, que exprime a opinião ou observação, posiciona-se como alguém que “vê o óbvio” que os outros não vêem.

  • “Não existe segredo”

  • “É tudo lógico”

  • “Está tudo explicado”

  • “É óbvio”

  • “É claro como a água”

  • “É evidente”

  • “É senso comum”

🔍 Função psicológica

  • Defesa narcísica (“se é simples para mim, sou competente”)

  • Falta de conhecimento e / ou incapacidade de ver a dificuldade do outro.

  • Anulação de dúvidas fundamentadas


3. Expressões que transferem a culpa da incompreensão

O foco deixa de ser a explicação e passa a ser a suposta limitação do outro.

  • “Não percebo como não entendes”

  • “Já expliquei isso mil vezes”

  • “Não sei como ainda tens dúvidas”

  • “Está mesmo à tua frente”

  • “É só ler com atenção”

  • “Não é difícil de entender”

🔍 Função psicológica

  • Proteção do ego do emissor (não admite uma má explicação)

  • Inversão de responsabilidade

  • Comunicação passivo-agressiva

  • Micro-humilhação social


4. Expressões que escondem desprezo intelectual

Normalmente são ditas com tom calmo, mas cheias de julgamento.

  • “Sem querer ofender, mas…”

  • “Não quero ser arrogante, mas…”

  • “Com todo o respeito…”

  • “Não estou a dizer que não sabes, mas…”

  • “É uma questão de pensar um bocadinho”

🔍 Função psicológica

  • Licença moral para desvalorizar

  • Superioridade disfarçada de cortesia

  • Estratégia de dominio simbólico


5. Expressões de comparação implícita

Colocam o outro abaixo de um padrão “normal” ou “mínimo”.

  • “Até uma criança entende”

  • “Qualquer iniciante sabe isso”

  • “Isso é do primeiro dia”

  • “No teu nível, já devias saber”

  • “Isso é conhecimento básico”

🔍 Função psicológica

  • Pressão social

  • Geração de vergonha

  • Reforço de estatuto e hierarquia


6. Expressões que encerram uma conversa 

Servem para não aprofundar nem explicar.

  • “É o que é”

  • “Sempre foi assim”

  • “Não vale a pena complicar”

  • “Não penses demais”

  • “Segue o processo”

  • “Confia”

🔍 Função psicológica

  • Evitar perguntas

  • Manter o controle

  • Redução da autonomia cognitiva do outro


7. Padrão psicológico comum por detrás de todas

Essas expressões geralmente indicam um ou mais dos seguintes traços:

  • Insegurança mascarada de confiança

  • Viés da maldição do conhecimento (quem sabe algo esquece como é não saber)

  • Necessidade de estatuto

  • Baixa empatia cognitiva

  • Comunicação defensiva

  • Micro-narcisismo funcional


8. Como reconhecer rapidamente?

Uma regra simples:

Se a frase diminui a dificuldade em vez de aumentar a clareza, não é pedagógica — é hierárquica.

Ou ainda:

Quem realmente domina algo tende a explicar melhor, não a simplificar verbalmente sem ajudar.






miroma63 - 06/01/2026


 
 
 

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