A pergunta que demorei quarenta anos a fazer
Este livro não nasceu porque encontrei respostas.
Nasceu porque, durante muitos anos, fiz perguntas erradas.
Perguntei por que razão algumas pessoas me desiludiam. Antes de perguntar por que razão determinadas relações se repetiam. Perguntei por que razão alguns negócios falhavam. Antes de olhar seriamente para as minhas próprias decisões. Perguntei por que razão certas instituições me limitavam. Antes de perceber os limites que eu próprio transportava.
E perguntei por que a vida não acontecia como eu queria.
Muito mais tarde comecei a fazer uma pergunta diferente:
Qual é a minha participação no que me acontece?
Foi uma pergunta incómoda. Continua a ser.
Não escrevo a partir do que julgo saber sobre a vida.
Escrevo a partir do que a vida me obrigou a questionar.
Este livro não é uma autobiografia, embora contenha muito da minha vida. Não é um livro de psicologia, embora a psicologia tenha sido fundamental para a minha curiosidade. Não é um livro sobre desenvolvimento pessoal. Muito menos uma receita para qualquer sucesso.
É um ensaio. Um ensaio divergente.
A tentativa de um homem que viveu mais de seis décadas de colocar lado a lado acontecimentos que, durante muitos anos, julgou separados. A vida militar. O casamento. Os meus quatro filhos. As empresas. O sucesso. As perdas. A depressão. A passagem à reserva. As viagens. A pobreza que vi. A esperança que encontrei onde menos esperava.
Quando coloquei estas peças sobre a mesma mesa, comecei a ver ligações que antes não via.
Não sei se todas estão certas. E faço questão de escrever isto.
Não quero substituir as certezas que questionei por novas certezas elaboradas por mim.
Quero fazer perguntas melhores. Porque descobri que uma boa pergunta pode ser muito mais transformadora do que uma resposta confortável.
Este livro é isso.
Uma construção. E, como qualquer construção humana, está inacabada.
Em dezembro chega às livrarias.
Até lá, vou partilhar aqui o que ficou de fora das páginas.
Na semana que vem: o que aprendi sobre cumprir antes de aprender a escolher.





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