O que acontece quando começas a questionar

Durante anos não questionei nada, ou questionei verdadeiramente pouco.
Não por falta de inteligência (creio). Não por falta de curiosidade.
Acredito que foi por "medo".
Há perguntas que aprendemos a não fazer. Não porque sejam proibidas. Porque aprendemos, de mil formas diferentes, que algumas perguntas têm um preço.
O preço é o desconforto.
O desconforto de descobrir que o que acreditavas ser teu, afinal não era. Era emprestado.
Sai do exército. Entrei no mundo dos negócios. Construí. Vendi. Cresci. Perdi. Caí e recomecei
E em nenhum desses momentos parei para perguntar:
É realmente isto que quero? Ou é o que aprendi a querer?
A diferença parece pequena.
Não é.
Uma vida construída sobre o que querem de nós parece uma vida. Tem forma. Tem conteúdo. Tem ritmo.
Mas tem uma falha, pequena, quase invisível, até ao dia em que se torna incómoda.
Questionar não é rejeitar.
Demorei bastante tempo a perceber.
Quando comecei a fazer perguntas que nunca tinha feito, senti que estava, a desmontar, a perder o controle, a destruir o que levou muito tempo a construir.
Estava errado.
Questionar é o primeiro ato de construção real.
Não se constrói nada de verdade sobre fundações que nunca foram examinadas.
Nada.
A pergunta mais difícil não é "O que quero?"
É: "O que é meu?"
O que é meu e que construí? O que escolhi de verdade? O que ficou por escolher?
Não é uma pergunta confortável, mas é a mais acertada.
Em dezembro, o livro chega às livrarias e aí aparecem mais respostas.
Na próxima semana, vou desvendar mais um capítulo: o que significa escolher de verdade, quando finalmente percebes que podias ter escolhido de outra forma.




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